Blog do iscoti

Do mato vieste e ao mato voltarás

Bulha d’Água – Operação Kamikaze

1 comentário

Maio de 2014
A missão tinha objetivos bem claros: Instalar a câmera de movimento, colocar o mapa das cavernas na casa de pesquisa e fotografar algumas cavernas na fazenda Anaconda.
Seiscentos km me separavam deste objetivo, além de uma disponibilidade de tempo minguadissima. Compromissos pessoais ainda me aguardariam no restante do fim de semana.
Encarei uma operação Kamikaze: voo solo,  colocar a câmera e o quadro a noite, acordar de madrugada, fotografar e sair antes do meio dia.
Ok, tudo certo, vai funcionar.
Cinco horas de carro e  chegando em Guapiara a noite, as gotas de chuva batendo no teto do carro pareciam as batucadas do Olodum. Mas não desanimei, estava prevenido, tinha levado uma capa de chuva.
Ao chegar na casa do Ze Guapaiara, aquela costumeira acolhida com pão caseiro, doce de abóbora e café quentinho, tudo dentro da cozinha aquecida pelo fogão a lenha, enquanto lá fora a chuva e o frio disputavam pra ver quem assustava mais a gente.
Cafezinho daqui, uma prosa dali, e o Zé solta: é seu iscoti… tá chovendo muito forte.
Captei a mensagem; o trator não iria sair do galpão aquela noite.
Bom então vamos ganhar tempo e deixar o quadro do mapa montado para levar amanhã cedo. Eu havia levado a moldura na viagem anterior e descobrimos que o mapa que levei nesta viagem era maior que a moldura. Puxa daqui, empurra dali, conclusão: ou moldura maior ou mapa menor. O quadro na parede da casa de pesquisa vai ter que ficar para a próxima viagem.
Bom, então vamos pelo menos deixar a câmera de movimento preparada para montar na mata. Comprei seis pilhas D novas e trouxe mais seis recarregáveis. Colocamos as pilhas na câmera e… nada. Não ligava.
Aperta daqui, gira dali e… não liga. De repente uma luzinha acende. De novo aperta daqui, gira dali e… não liga. Tinha uma aguinha no visor secamos, e… ligou!!! De repente, desligou… E não ligou mais. Parecer técnico dos especialistas presentes: umidade. O Zé ficou de deixar ela no sol e instalar depois. Isto é, se ela voltar a vida.
Mais prosa e vamos dormir, mas não sem antes dar uma olhadinha rápida nas notícias na TV e foi ai que vimos sobre aquele acidente no gelo onde o cara caiu na fenda e se quebrou todo. Ele acabou filmando a saída dele do lugar com apenas um braço inteiro e que levou  levou 9 horas. Comentários do Zé para a dona Sueli: Olha mulher, é igual ao que a gente faz, só não tem gelo !!!
Fui dormir pensando no que aquele cara passou, no sofrimento e na dor, e que normalmente sou eu que carrego a filmadora.
O Olodum tocou a noite inteira.
Acordei as 5 da manhã junto com o Zé.  A chuva e o frio estavam lá fora se esbofeteando pra ver quem ia assustar a gente  primeiro.
Eu enganei eles, catei minha caixa de tomate e sai de fininho pra São Paulo sem que eles percebessem.
Seiscentos km para comer pão caseiro com doce de abóbora e café, ao lado do fogão a lenha junto com meu amigo……sempre vale a pena.

Bulha

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Um pensamento sobre “Bulha d’Água – Operação Kamikaze

  1. Muito bão, Iscoti.
    Vamos retornar a Bulha ainda em Junho, mas reserve o final de semana inteiro!

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